sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Lançado oficialmente o 66º Congresso Tradicionalista Gaúcho


O 66º Congresso Tradicionalista Gaúcho foi lançado oficialmente na última quarta-feira, 3 de janeiro, em Porto Alegre. A solenidade aconteceu no Galpão Gaúcho do Palácio Piratini, com a presença do presidente do MTG, Nairo Callegaro, do governador do Estado, José Ivo Sartori, e do prefeito de São Jerônimo, Evandro Heberle. O município que será sede do Congresso, de 12 a 14 de janeiro.

Em seu pronunciamento, o presidente do MTG, Nairo Callegaro, destacou a importância do evento de lançamento do Congresso Tradicionalista, assinalando uma reaproximação do MTG e Governo do Estado. Na sua opinião, essa reaproximação significa o fortalecimento da tradição, do orgulho de ser gaúcho, e está harmonizada com os princípios que norteiam a entidade, com destaque para o primeiro item da Carta de Princípios, que assinala no sentido dos tradicionalistas auxiliarem o Estado na solução de seus problemas.

Callegaro também destacou a presença do MTG em mais de 90% dos municípios gaúchos, por meio das aproximadamente 1700 entidades tradicionalistas filiadas. Também enfatizou que o Congresso Tradicionalista é ainda mais antigo que o MTG, e que constitui um órgão pensante do tradicionalismo no Rio Grande do Sul, um espaço para grandes debates, grandes ideias.

Também estiveram presentes na solenidade de lançamento do 66º Congresso Tradicionalista a vice-presidente de Administração e Finanças do MTG, Elenir Winck, de Esportes Campeiros, Martin Gutierrez, de Campeira, José Araújo, a segunda prenda do Estado, Caroline Reolon Scariot, e o peão estadual, Jhonata Reis Leindecker.

Fonte: MTG

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

CTG Campo dos Bugres realiza Festival de Danças Tradicionais em abril

Já vai anotando na agenda!

Nos dias 07 e 08 de abril Caxias do Sul recebe um baita Festival de Danças Tradicionais Gaúchas que está sendo organizado pelo CTG Campo dos Bugres, através de auxílio do Ministério da Cultura!

Te programa por aí e fica de olho que em breve teremos mais informações!

10 motivos pelos quais ser gaúcho é bom demais

Tchê, tem coisa melhor do que pertencer a esta terra? ♥

Também conhecido como Europa brasileira, o Rio Grande do Sul é nosso berço e detentor de muita cultura, que faz o coração dos bairristas explodir com tanto amor por este chão em que vivemos. 

Assim sendo, listei hoje 10 motivos pelos quais ser gaúcho é bom demais! Vem conferir!!!


  1. Se tu gosta do verão, está no lugar certo. Se gosta do inverno, também. E até aqueles que preferem "meia estação" estarão satisfeitos por aqui. Com verão escaldante e frios intensos, tu podes curtir uma boa praia e também a neve na serra... Mas é claro que nem toda felicidade é pra sempre, então tu vais ter que te contentar com apenas alguns meses da tua estação preferida, e o resto do ano tu improvisa pra aguentar o tranco.
  2. O chimarrão é uma das maravilhas do mundo! Independente da época do ano, ele é nosso principal parceiro! Um mate com os amigos, ou aquele solito, sempre nos completam e nos fazem relembrar dia a dia o quanto é especial e único ser gaúcho.
  3. E por falar em maravilhas, vamos falar de churrasco? O que seria dos nossos domingos sem ele? Definitivamente, é muita coragem um gaúcho ser vegetariano... como faz pra abrir mão de um churrasco delicioso, principalmente se ele estiver acompanhado de pão de alho???
  4. Acho que nem preciso falar muito a respeito da nossa cultura, né? Basta dar uma olhadinha em algumas das 1300 publicações aqui do blog pra teres uma ideia do que estou falando. Temos história pra dar e vender!
  5. Ser tradicionalista é quase uma religião, e pertencer a um lugar que nos dá a opção de lutar por uma causa, de conviver em sociedade e em família, de ter um hobby sadio e crescer como bons cidadãos, é fascinante! Sem contar na oportunidade de prestigiar o ENART, entre tantos outros eventos tradicionalistas esplêndidos.
  6. Adquirir habilidades artísticas é transformador. Tu podes dançar, cantar, declamar, tocar instrumentos... além de aprender a ter muita disciplina ao executar cada uma destas atividades.
  7. E é claro que não podemos esquecer das habilidades campeiras... quem é o melhor amigo do homem mesmo? Dizem por aí que é o cachorro...mas aqui no RS é o cavalo. 
  8. Podemos falar também de turismo! É incrível a quantidade de lugares lindos que existem no Estado, e pra todos os gostos. Serras, rios, praias, campos, lugares históricos, modernos, cidades lindas, eventos grandiosos... temos muito a conhecer, e muito a nos encantar por aqui.
  9. Preciso citar também a dupla GRE-NAL! Gente, que loucura é essa? Uma dupla clássica do futebol brasileiro, dois times grandiosos que arrastam multidões, e que tornam os campeonatos ainda mais eletrizantes! Dizem até que tem gaúcho com sangue azul, além do clássico vermelho.
  10.  E agora vamos falar de personalidade! Gaúcho que é gaúcho se orgulha muito da terra em que nasceu e vive, fala em alto e bom tom os famosos "tchê", "mas que barbaridade" e tantos outros clássicos do dicionário gaúcho, além dos clássicos ditos populares como "frio de ranguear cusco" que só a gente entende. Somos seres sem igual, com cultura única, personalidade forte e principalmente, apaixonados por este Estado que tanto nos completa ♥
Gostou da listinha?
Então curte, compartilha nas redes sociais, marca teus amigos e vamos juntos mostrar pro mundo como é bom ser Gaúcho!

Um beijo, e até a próxima! ;*

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

CTG Capitão Ribeiro realiza 14º Rodeio Crioulo Estadual neste final de semana

O chasque do dia vem lá da cidade de Capitão, 24ª RT.

Não deixe de participar!!!

Um MTG para todos - Palavra do Presidente


"Sempre que inicia um ano novo é da natureza humana projetar melhorias, como se a mudança de ciclo trouxesse com ela uma nova brisa, um novo ânimo. A revisão de consciência que aconteceu em dezembro e avaliação de tudo que deu certo e de tudo que pode ser melhor é a matéria-prima para novos sonhos e planos.

Aqui no MTG não é diferente e quando me pego olhando para o nosso Calendário do Ano um pensamento é inevitável: tudo de novo, mais uma vez. Efetivamente, não temos, sempre, superlativas novidades. Fazemos algumas inovações aqui, outras ali, porque também não estamos parados no tempo. Mas, de fato, temos a virtude da Continuidade. Alguns de nossos eventos têm mais de 40 anos. Algumas práticas fazem parte do calendário do MTG desde seus primórdios. 

Mas será mesmo tudo de novo mais uma vez, aquilo que chamamos de “mais do mesmo”? Mas é claro que não. Se assim o fosse, não aguardaríamos com ansiedade cada congresso, cada festa campeira, cada acampamento farroupilha, cada Enart, cada uma das nossas atividades. Se esses eventos vão se perpetuando em nosso calendário, nada mais é do que demonstração de que o que estamos fazendo, do jeito que estamos fazendo, agrada a muitos.

O que nos leva ao questionamento seguinte: e agrada a todos? Certamente, não. 
Alguns dizem inclusive que isso é impossível. Mas, como presidente do MTG, não posso me isentar do compromisso de trabalhar de forma a agradar o maior número de tradicionalistas, na maior parte das oportunidades, na maior parte do tempo. 

Quanto mais pessoas estiverem felizes, satisfeitas e acolhidas embaixo desse grande manto que é o MTG, tanto melhor. Cada um com suas particularidades, gostos, maneiras de se dedicar, perspectivas, porque muito embora sejamos todos tradicionalistas, não somos todos iguais. E nesta diversidade crescemos. Se todos pensarem da mesma forma, de onde virão novas ideias, para aprimorar o que estamos fazendo?

Novas ideias, novos protagonistas, tudo isso é muito bom para cada atividade que o MTG desempenha. Pensar diferente não é problema, bastando que cultivemos as virtudes de saber ouvir e também de saber expor. Nesse interim, a propósito, saber escolher o fórum para troca de ideias e debates é inteligente, o que reforça a importância do Congresso e a Convenção Tradicionalistas.
Vamos em 2018 avançar mais um passo na construção de um MTG para todos?

Nairo Callegaro
Presidente do MTG"

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Happy New Year ♥


Queriiidos, já já é ano novo, mas o meu amor por cada um de vocês vai continuar igualzinho ♥

Aliás, tenho muito a agradecer por todo o carinho recebido neste 2017!
Chegamos a incrível marca de UM MILHÃO DE VIEWS, ainda em janeiro... e estamos fechando o ano com quase DOIS MILHÕES! Alegria que não cabe!!! \o/

Cada texto compartilhado, entrevista concedida, evento divulgado, material de estudo publicado... cada foto linda no ENART, cada recadinho de vocês pelas redes ou pessoalmente, está guardadinho em mim.

Este ano novamente batemos recorde de posts: foram quase 450!
E isso é lindo demais!!! Mostra o quanto já crescemos em todos estes anos... e o quanto ainda temos a crescer, juntos!

TUDO TUDO que vivo aqui, através destas palavras, me deixa mais pertinho de cada um de vocês, e sentir a reciprocidade deste carinho todo é mais do que especial.

Peço desculpas pela frequência menor de publicações nos últimos dias...
Mas a correria por aqui está grande rsrs

Desejo de coração muito amor, paz, saúde e sucesso pra todos!
Que seja um novo ano lindo, recheado de realizações e com as bençãos de Deus sempre presentes.
Que o respeito prevaleça ao ódio gratuito, que as amizades verdadeiras permaneçam, e que todo e qualquer sentimento negativo seja excluído de nossas vidas.

Um Feliz 2018 a todos!
Com carinho.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Lançamento do Congresso Tradicionalista será dia 03 de janeiro


O Movimento Tradicionalista Gaúcho, o Governo do Estado do Rio Grande do Sul e a Prefeitura Municipal de São Jerônimo realizam, no dia 03 de janeiro, a cerimônia de lançamento do 66º Congresso Tradicionalista Gaúcho. 

A solenidade acontecerá às 18h no Galpão Crioulo do Palácio Piratini, em Porto Alegre.

O Congresso Tradicionalista acontece de 12 a 14 de janeiro em São Jerônimo. 
O presidente do MTG, Nairo Callegaro, faz um convite especial a todos os tradicionalistas, para que participem.

Fonte: MTG.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Estuda, tchê: Artesanato Típico - Parte 2


Artesanato

Alice Inês de Oliveira e Silva (1979) faz a seguinte distinção da seguinte distinção, quando fala em artesanato: 

Artesanato Folclórico 
- aprendizagem informal, dentro do grupo familiar ou de vizinhança;
- veicula uma tradição cultural de sua obra; 
- funcional; 
- caráter regional; 
- aproveita, em geral, matéria prima disponível. 

Artesanato Popularesco ou da Massa 
- difundido por instituições ou veículos de comunicação de massa; 
- não tem caráter regional; 
- condicionado pela moda, pelos padrões da sociedade de consumo;
- massificado.

Artesanato Erudito 
- criação individual; 
- sofisticado; 
- elitista. 

Vários são os produtos artesanais:

Cestaria
Segundo o “Guia Prático de Antropologia”, a cestaria inclui não só os verdadeiros cestos mas, também, as caniçadas (tecidos de varas, canas, vimes, ou juncos em forma de superfície plana), as esteiras e os trançados decorativos. O trabalho de cestaria pode ser entretecido e em espiral. 

Nossos indígenas já conheciam a técnica da cestaria. Os atuais artesãos juntaram à técnica indígena, as trazidas pelas outras raças, formadoras do povo brasileiro. 

Os tipos de cestaria no Brasil variam tanto em razão da finalidade como em razão do material disponível. Para confecção da cestaria são empregados vegetais variados, tanto os talos, colmos, folhas como raízes. 

Os vegetais mais empregados no Rio Grande do Sul, nesse tipo de artesanato, são: taquara, juncos de vários tipos, vime, jerivá, imbé, butiazeiro, bananeira, palha de trigo e milho, cipós, taboa, macega,... 

Muitos vegetais fornecem apenas fibras têxteis com as quais se arrematam os trabalhos ou se fazem trançados, entre eles: pita, embira e tucum. 

Tecelagem 
Segundo o “Guia Prático de Antropologia”, ao ‘tecer’ entrelaçam-se, em ângulos retos, duas séries de elementos flexíveis para formar um tecido mais ou menos compacto, de acordo com os materiais e processos empregados. 

O tecido propriamente dito faz-se, geralmente, com os materiais macios e flexíveis. No Rio Grande do Sul o fio mais empregado na tecelagem folclórica é a lã, trabalhada em teares verticais ou horizontais. O tear vertical é o tipo mais usado na região da campanha e o horizontal sendo encontrado na região do litoral. Nesses teares (horizontal e vertical), são confeccionados cobertores, ponchos, bicharás, xergas e trapeiras. 

Trabalhos em couro 
Segundo E. P. Coelho (s/d) ao “artesanato de uso campeiro , na base de couro cru, dá-se o nome, de modo geral, de trabalho em ‘corda’. Guaspeiro é o apelido pelo qual é conhecido o homem do campo que se dedica a esse tipo de artesanato. São vários os ‘pertences’ de uso campeiro, confeccionados com couro cru. Destacam-se, entre outros, as ‘cordas’ trançadas (rédeas, laços, cabrestos...), feitos de couro cavalar... São, também, utilizados o couro de cabra (chibo) para tranças delicadas e a pele de enguia (muçum) para revestimento de pequenos objetos”. 

O couro serve como material de trabalho, tanto para o Guasqueiro como para o Seleiro. O Guasqueiro confecciona: laços, manilhas, rédeas, cabeçadas, buçais, arreadores, rebenques, etc... O seleiro confecciona: caronas, cinchas, lombilhos, selas, serigotes, bastos, badanas, arreiame para animal de tiro e até botas, surrões, rabichos e peiteiras.

O couro é aproveitado, igualmente, para tramas (assento de cadeiras, lastro de camas rústicas), para o retovo de cuias, baú... O homem rural, geralmente, aproveita o couro para fins utilitários. 

Trabalhos em madeira 
Há uma grande variedade de objetos com função utilitária, feitos de madeira, com técnica rudimentar e tradicional: colheres, cochos, bancos, cabides, arcas, pilões... 

Para a feitura de pilões e gamelas, alguns usam o processo da queima, outros empregam encho, formão e coiva. 

As madeiras próprias para a confecção de gamelas são: timbaúva, figueira e a corticeira. Para a feitura do pilão são empregadas a cabriúva, o grapici e o angico. 

Funilaria 
Formas moldes de bolachas, candieiros, canecas... São trabalhos executados pelos funileiros ou latoeiros. Os moldes de bolachas, no Rio Grande do Sul, aparecem na região de colonização alemã e apresentam os mais variados modelos, tanto em forma de objetos, flores, animais como da figura humana.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Estuda, tchê: Artesanato Típico - Parte 1


Definindo Arte e Artesanato

 Alguns folclorista brasileiro agrupam, sob o título de Artes populares todas as técnicas tradicionais empregadas pelo povo. Desse modo, incluem, nessa área, tanto a construção de um rancho de torrão, ou de um barco, como o trabalho de uma tecelã ou de um ceramistas, etc... 

Outros atores classificam as manifestações artísticas do povo como artesanato. 

Rossini Tavares de Lima e Renato Almeida fazem uma distinção entre artesanato e arte popular. Diz Rossini (1976): “Não é possível incluirmos na categoria de artesanato as pinturas de bandeiras de Santos, os ex-votos na forma de esculturas de cabeças , as xilograduras dos folhetos de literatura de cordel, os desenhos coloridos das carrocerias de caminhão e os exemplares de cerâmica figurativa que existem por todo Brasil. Nesses exemplares muito diferente dos produtos de artesanato, observa-se o predomínio de elementos decorativos na definição de uma expressão estética. Os homens que desenvolveram as atividades referidas não podem e não devem ser situadas no mesmo plano de um paneleiro , cesteiro ou um fazedor de pilões. Existe nessas atividades, a procura de alguma coisa diferente, que não inclui somente no imediatismo utilitário, se bem que as formas de arte popular posam se encontrar associados, muitas vezes, num objeto utilitário, produtos de artesanato”. 

Renato apoia-se na opinião de Paul Sébillot que considera como “arte folclórica aquela que não resulta de qualquer ensinamento especial, mas de uma tradição ou na necessidade de exprimir- por sinais- idéias ou coisas vistas cuja recordação pode ser agradável ou útil” (1972). 

A arte folclórica vem sendo praticada pelos mais diversos grupos humanos em diferentes épocas da história. No entender de Cecília Meirelles (1968), ela “resume os grandes trabalhos humanos” e “manifesta a sensibilidade geral dos que a praticam, por uma seleção de motivos que são uma espécie de linguagem cifrada”. 

Como todo fato folclórico, a arte popular é de criação espontânea e pode sofrer os fenômenos da evolução e da extinção. Como diz Ana Augusta Rodrigues, a arte popular “é feita pelo povo”, produto de sua imaginação e é a expressão do grupo a que pertence. 

Segundo E. O. Christien (1965), a arte folclórica, “limitada a uma região particular, move-se dentro de uma linha estreita e, geralmente, perpétua desenhos hereditários: a originalidade ou imaginação constituem uma exceção”. 

Dessa afirmativa, conclui-se que toda uma área possa se revelar por estilos artísticos definidos.

As produções de arte espontânea ligam-se, também, aos materiais disponíveis na área em que vive o artista folclórico. Segundo Rossini T. Lima (1976), o “artista folclórico não tem consciência de que produz arte e é só incluído na categoria de artistas pelos folcloristas que encontraram, no objeto de sua criação a predominância de motivos estéticos”.

Opina ainda o autor, que a “arte folclórica, como toda a manifestação de arte, explica-se no caráter pessoalismo de cada exemplar, revelador de uma cultura regional espontânea aliada à criatividade do autor”. Renato Almeida considera como arte popular: "cerâmica, escultura e pintura”. 

Várias definições foram propostas por folcloristas brasileiros para diferenciar arte e artesanato. Para Saul Martins (1974), o “debate a respeito da diferença entre arte popular e artesanato parece-nos sem importância, seja porque todo artista começou como artesão. Se este evoluiu para a criação de peças bem acabadas, naturalmente vira artista”. O mesmo autor nos indica as características do artesanato:

1) manual: o contato é direto entre o artesão e o material empregado, sem se considerar, naturalmente, pequenas intervenções de ferramentas ou aparelhos simples. 

2) os objetos resultam de elaboração intelectual, embora sem requinte, feitos segundo os padrões tradicionais, mas nunca em molde ou forma, nem mesmo em série. 

3) aqui se realizam formas, que podem ser apreciáveis ou suscetíveis de sê-lo, e não simples produtos. 

4) emprega-se material disponível, gratuito ou extraído no lugar ou retalhos, sobra aproveitável. 

5) doméstico ou caseiro, conta com a participação da família. 

6) o artesão não conhece a divisão do trabalho, não se organiza para a produção, sozinho executa todas as parcelas necessárias à transformação. 

Saul Martins (1974) observa, ainda, que o “tipo ou modalidade de artesanato resulta de fatores ecológicos, isto é das relações entre o homem e o meio. Adapta-se às condições locais, ao estilo de vida, às exigências da freguesia, aos recursos naturais, á ocasião. Sendo o artesanato uma manifestação da vida comunitária, o artesão faz objetos padronizados, o que empresta à sua arte um caráter regional e tradicional”. 

Para R. T. de Lima (1974), a expressão artesanato se dá a coisas que são feitas, no todo, por uma pessoa ou, no máximo, por pequenos grupos de pessoas. 

O artesanato possui características domésticas e, no geral, é valorizado pelo cunho pessoal de que se revestem seus produtos, elaborados à mão ou com auxílio de rudimentares instrumentos de trabalho, estes muitas vezes, confeccionados pelo próprio artesão. Pode ser erudito, popularesco e folclórico. 

Considera como artesanato: cerâmica utilitária, funilaria popular, trabalhos em couro e chifre, trançados e tecidos de fibras vegetais e animais (sedenho), fabrico de farinha de mandioca, monjolo de pé de água, engenhocas, instrumentos de música, tintura popular. E, como arte, pintura e desenho (primitivos), esculturas (figura de barro) madeira, pedra guaraná, cera, miolo de pão, massa de açúcar, bijuteria popular, renda, filé, crochê, papel recortado para enfeite... 

A classificação de Alceu Maynard Araújo (1964), a respeito dos trabalhos de confecção manual, é mais ampla e engloba, além das artes populares, as técnicas tradicionais. Nas técnicas, inclui: atafona, monjolo, engenho, alambique, etc..., construção de casas, barcos, carros e utensílios domésticos e a confecção de doçaria e comidas típicas. 

Diz Maynard (1964) sobre o artesanato: “são coisas que o homem cria, sem ensino formal, levado pela necessidade. São técnicas tradicionais elementares de que o homem se serve para melhor subsistência, no primitivismo imposto pelo meio”. Uma explicação disso temos na referência de Jean Roche a respeito dos artesanatos do colonos alemães no Rio Grande do Sul. “As memórias deste novo Robinson, chegado a São Leopoldo em 1828, provam que o motivo que levou os colonos a produzirem eles próprios, a maior parte dos artigos de uso foi a necessidade de fazer economias de toda sorte. A simples sobrevivência biológica dos emigrantes só foi possível graças ao trabalho de toda família e ao retorno (regressão) de técnicas tradicionais as mais elementares (rudimentares). Foi uma adaptação ao novo meio. O artesanato rural se dividiu em dois grandes ramos: o fornecimento dos artigos necessários à vida local e a transformação dos produtos agrícolas para vender”. 

A necessidade leva o individuo a recorrer a novas técnicas de subsistência. Esta é uma das causas da instabilidade da artesania. Geralmente, o artesão é improvisado e faz da atividade um “biscate”. 

Nem sempre as técnicas artesanais têm continuidade na família. O trabalho artesanal depende da matéria prima que, muitas vezes, não pode ser adquiridas em grande quantidade. 

O artesanato está, ainda, como diz Maynard, no círculo do “quebra-galho”, isto é, produz-se hoje para comer amanhã. 

O mercado também influi sobre a produção artesanal pois, nem sempre a peça artesanal é valorizada na localidade onde tem origem. 

Arte Folclórica 

A Cerâmica e Modelagem Folclórica 

Desde a Pré-história, a modelagem em barro tem sido uma forma de expressão do homem. A palavra cerâmica, originada do grego Keramus, designa todos os objetos de argila submetidos à queima.

Quando os portugueses chegaram ao Brasil, já encontraram os índios confeccionando objetos de barro: potes, panelas, pratos e vasos. 

Segundo Haydee Nascimento, “os primeiros jesuítas não acrescentaram nada à cerâmica indígena”. As formas: bilhas, talhas, etc... chegam através dos artesãos emigrados que introduzem, também, o torno de oleiro.

Em quase todo o Brasil são encontrados oleiros. As peças produzidas são de dois tipos: 

1) utilitário;
2) figurativo. 

Este último tipo, também denominado cerâmica figureira, é mais expressivo no Nordeste brasileiro, onde se tornou famosa a dita “Escola de Caruaru”. Destacam-se, ainda, no Nordeste, a cerâmica de Carrapicho (Sergipe) e a de Maragogipinho (Bahia). 

Em Mato Grosso e Goiás, molda-se cerâmica figurativa: São Paulo, salientam-se a do Vale do Paraíba e a de Apiaí. 

Em Santa Catarina, os barristas de São José das Palhoças produzem figuras antropomorfas e zoomorfas. 

A cerâmica utilitária é encontrada em todo território nacional (alguidares, potes, moringas, talhas, quartinhas) e se distinguem, regionalmente, tanto pela cor da peça como pelos motivos ornamentais. Observam-se, também, em peças utilitárias, as expressões artísticas, pois, muitas delas, apresentam formas antropo, zoo ou fitomorfas (moringas com figuração de mulher; mealheiros ou cofres figurando animais, assovios, cachimbos e paliteiros em forma de pássaros). 

No Rio Grande do Sul, temos apenas a cerâmica utilitária no estágio de indústria com a utilização de tornos.

Técnicas 

Embora em algumas regiões do Brasil seja considerada indígena da cerâmica de cordel (rolo ou espiral), os objetos modelados, em sua maioria são de tradição ibérica: Quartinha, moringa, etc... 

Além da técnica de cordel, utilizam-se, ainda, técnicas de levantamento e a que conta com o auxílio de forma para a base. Funciona, também, a rodeira (torno movido a pé). A técnica manual é utilizada por mulheres e crianças enquanto que a roda de oleiro é trabalho masculino. 

Ao lado dos trabalhos de barro formados há a modelagem não submetida a forno, isto é, de barro cru como as que confeccionam os barristas de Taubaté, Cunha, Piraitinga, Paraibuna (São Paulo). 

Escultura folclórica

No Brasil, encontram-se trabalhos de escultura em: madeira, pedra-sabão, pedra Grês, massa de Guaraná, balata, massa de açúcar (alfenis), cera, miolo de pão, galhos de árvores, etc... 

Renato Almeida (1974) destaca, na escultura popular brasileira, os trabalhos dos imaginários (santeiros), os ex-votos (promessas talhadas em madeiras) e as carrancas (cabeçorras antropo zoomorfas). 

São famosas, no Nordeste , as talhas pernambucanas, em especial, as de Olinda, para sua confecção, utilizam formões e um pequeno martelo, para pequenos detalhes é utilizado canivete. Os motivos são florais, bailados folclóricos, indígenas, pescadores e, também, religiosos (Cristo, Santa ceia). 

Para escurecer a madeira, usam grão de Viochene e, para dar brilho, cera.

No Rio Grande do Sul são encontradas exemplares de escultura em madeira não só representando figuras de animais mas figuras humanas (Livramento e Uruguaiana). Encontram-se esculturas em cabos e relhos (Santa Maria) e em palanques (São Gabriel). Aproveitam-se, também, galhos de árvores para transforma-los, com pequenas elaborações, em belas peças (Livramento). Esculpem-se cofres e florões para decoração de móveis, de maneira espontânea (Passo Fundo e Júlio de Castilhos). 

No Rio Grane do Sul, há trabalhos de esculturas em pedra, destacando-se:

Ivo Alves da Silva (69 anos), residindo em Santa Maria e que produz peças com temas regionais. Usa ferramentas rudimentares por ele fabricadas para talhar a pedra-arenito, procedente de Alegrete. 

Clotilde de Deus Silva (75 anos), interna no Asilo da Velhice de Uruguaiana que esculpe pedra Grês desde os seus 14 anos de idade. Produz figuras ântropo e zoomorfas usando ferramentas rudimentares como: serra de arco de barril, prego, faca, “relo” de lata e azeite. A pedra procede de Alegrete e suas peças não são pintadas. 

Pelo interior do Estado, encontram-se inúmeros “canteiros”, que esculpem pedras para túmulos, lavrando florões, cruzes, anjinhos, etc.... (São Gabriel). 

Porongos também são alvo da atividade artística folclórica. O gaúcho, que faz do mate sua principal bebida, conforme suas posses, procura obter cuia bem aparelhada, adornada com metal lavrado adredamente preparada. 

Além do trabalho de ourivesaria, as cuias são passíveis trabalhos de pirogravura e de “ bordados” ou de entalhe.

Júlio Matte (70 anos), de São Borja dedica-se ao trabalho de entalhe em cuias. Utiliza porongo doce, desenhando sobre a superfície, motivos tais como: florais, cívicos, figuras de animais e humanas com ferramentas rudimentares (macete de madeira e inúmeras ponteiras feitas de prego caibral).

Trabalhos com Papel e Tecido 

Floristas 

A confecção de flores é considerada arte. No interior do Rio Grande do Sul, as floristas, em sua maioria, dedicam-se à feitura de flores para coroas. Essas flores são feitas de papel ou de pano, tanto para ornamentação doméstica, quanto para túmulos. 

Para túmulos, as flores são geralmente parafinadas. Usam-se, também, flores de lata pintadas, mais duráveis. O papel é, também utilizado como motivo de adorno em “ bicos” de prateleiras, guardanapinhos para envolver doces, desfiados e crespos para envolver balas, etc.... 

Para que haja bordado, é necessário que exista tecido de fundo sobre o qual o tecido se realiza. São incontáveis os pontos utilizados tradicionalmente.

A renda é um entre lançamento de fios que compõe um desenho sem que haja um fundo de tecido. Confeccionam-se rendas com agulhas (comum, crochê, tricô), com navete, com bilros, etc... A rendaria mais comum, em nosso Estado, é a de crochê. 

A passamanaria e o macramé são considerados arte de origem egípcia trazidos à Ibéria pelos árabes. É um trabalho de amarração de fios. As mais delicadas franjas do Rio Grande do Sul encontram-se em Bom Jesus, São Borja, São Luiz e Cachoeira do Sul.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Estuda, tchê: Medicina Caseira


EMPLASTRO
Mistura de ervas, plantas e grãos que ajudariam na cura de males.
• Cataplasma: feito com farinha de mandioca ou de milho ou de trigo, com um pouco de azeite. É aquecida e aplicada sobre a parte dolorida.
• Emplastro de majerona: para dor de dente, de ouvido, contusões.
• Para furúnculos: mistura aquecida de mel com farinha de trigo.
• Para calos: mistura de cebola com vinagre.

UNGUENTO
Como uma pomada. Mistura e aquecimento de ervas verdes ou secas, óleos aromáticos, tinturas e essências, com um tipo de gordura. Pode-se acrescentar cera de abelha para ficar mais espesso. Uso externo.

BENZEDURA
Cura males físicos e psíquicos, como engasgamento, soluço, cisco no lho, azia, entre outros. São como simpatias. Usa-se chaves, as mãos, tesouras, plantas, água, facas, carvão e outros.

JUJO (ERVAS MEDICINAIS)
• Abacateiro: fígado, rins, diurético.
• Abóbora: a semente é vermífuga.
• Acácia: febrífugo e antidiarréico.
• Açoita-cavalo: reumatismo, corrimento, hemorragia e tumores.
• Agrião: descongestionamento, antiescorbúlico e fortificante.
• Alcachofra: fígado.
• Alface: calmante, combate a insônia e fortifica a pele.
• Alho: combate a vermes, tosse e gripes.
• Amendoim: afrodisíaco e reconstituinte.
• Arruda: estimulante estomacal, vermífugo e calmante.
• Aroeira (casca): sífilis, febre, diarréia.
• Babosa: estomacal e tônica.
• Bálsamo: contra fraqueza pulmonar.
• Banana-do-mato: expectorante.
• Beterraba: diurético e digestiva.
• Boldo: fígado, prisão de ventre.
• Camomila: estômago, úlceras.
• Canela: febrífugo, usado contra infecções intestinais.
• Capim-cidró: calmante.
• Cebola: febrífugo, tosses e rouquidão.
• Corticeira: estômago, laxante (casca).
• Confrei: cicatrizante, usado contra moléstias pulmonares.
• Cidreira: calmante.
• Erva-de-passarinho: limpa o pulmão.
• Espinheira-santa: úlcera, azia
• Eucalipto: febrífugo.
• Fel-da-terra: estômago, abre o apetite.
• Funcho: cólicas.
• Guaco: tosse, bronquite.
• Hortelã: digestivo, verminoses.
• Laranjeira: calmante e fortificante.
• Limoeiro: calmante e poderoso antibiótico.
• Losna: estômago.
• Macela: estômago.
• Malva: anti-infeccioso.
• Mamica-de-cadela: úlceras.
• Manjericão: estimulante, antiespasmódico.
• Nogueira: depurativo do sangue, sífilis.
• Pata-de-vaca: diurético, diabetes.
• Pendão-de-milho: diurético
• Pitangueira: diarréia, cólicas.
• Poejo: tosses, cólicas.
• Quebra-pedra: cálculos renais.
• Romã: cólicas intestinais.
• Sabugueiro: gripe, sarampo.
• Salsaparrilha: depurativo do sangue.
• Tauchagem: males da bexiga, fígado e estômago.
• Urtiga: contra alergias e hemorragias.
• Xaxim: expectorante.